Site WordPress lento: o que conferir antes de culpar a hospedagem
Antes de trocar de hospedagem, descubra onde está a lentidão: no servidor, no WordPress ou na página. Um roteiro de diagnóstico para sites WordPress.
O cliente reclama que o site está lento. A reação mais comum é culpar a hospedagem e sugerir uma troca. Às vezes é isso mesmo. Mas muitas vezes o site migra, o cliente paga mais caro, e a lentidão continua, porque o problema estava num plugin, numa imagem de oito megabytes ou num banco de dados que cresceu sem cuidado.
Lentidão tem lugar. Antes de trocar qualquer coisa, vale descobrir onde ela está. Este texto propõe um roteiro de diagnóstico em três camadas.
As três camadas da lentidão
Quando alguém abre uma página, três coisas acontecem em sequência. O servidor recebe o pedido e começa a responder. O WordPress monta a página, consultando o banco de dados e executando o tema e os plugins. E o navegador baixa e desenha tudo: imagens, estilos, scripts, fontes. A lentidão pode estar em qualquer uma delas, e a solução é diferente para cada uma.
Primeiro: quanto o servidor demora para responder
O primeiro número a olhar é o tempo até o primeiro byte, ou TTFB: quanto tempo passa entre o pedido e o começo da resposta. Segundo o guia de TTFB do web.dev, mantido pela equipe do Chrome, um bom TTFB fica em 0,8 segundo ou menos, e acima de 1,8 segundo ele é considerado ruim.
Se o TTFB está bom e o site ainda parece lento, o problema não é a hospedagem: está na página que o navegador precisa baixar. Se o TTFB está alto, a lentidão está no servidor ou no WordPress que roda nele, e é aí que vale investigar antes de culpar alguém.
TTFB alto: servidor ou WordPress?
Um teste ajuda a separar os dois. Compare o tempo de uma página servida pelo cache (que quase não passa pelo WordPress) com o de uma página que o WordPress precisa montar na hora, como uma busca interna. Se as duas são lentas, o servidor está sobrecarregado ou mal dimensionado. Se só a montada na hora é lenta, o peso está no WordPress.
Quando o peso está no WordPress
- Plugins demais, ou um plugin pesado, fazendo consultas a cada página. Desativar um por vez, num site de teste, costuma revelar o culpado.
- Sem cache de página, o WordPress monta a mesma página do zero a cada visita.
- Versão antiga do PHP, mais lenta que as atuais.
- Banco de dados inchado com revisões, rascunhos automáticos e lixo deixado por plugins removidos.
O cache, o atalho que resolve metade dos casos
Para a maioria dos sites institucionais e blogs, um cache de página bem configurado é a medida de maior efeito. Em vez de montar a página a cada visita, o servidor entrega uma cópia pronta, e o tempo de resposta cai de forma visível. Antes de procurar soluções complexas, confira se o site tem cache, se ele está realmente ligado e se não está sendo desativado por um plugin ou por uma regra da hospedagem. Lojas virtuais pedem mais cuidado, porque carrinho e checkout não podem vir de uma cópia pronta.
Quando a hospedagem é mesmo o problema
Se até a página em cache demora a responder, se o tempo de resposta oscila muito ao longo do dia e se vários sites no mesmo servidor ficam lentos juntos, aí sim a hospedagem é a principal suspeita. Nesse caso, leve os números para a conversa com ela, ou para a decisão de migrar: horários, tempos medidos e páginas testadas. É a diferença entre "o site está lento" e um diagnóstico que alguém consegue resolver.
TTFB bom, página lenta: o problema é o que o navegador baixa
Aqui os suspeitos de sempre são as imagens enviadas sem redução (fotos direto da câmera), sliders pesados no topo da página, muitos scripts de terceiros (chats, pixels, widgets) e fontes demais. Ferramentas como o PageSpeed Insights mostram, item por item, o que mais pesa, e é por ali que começa a otimização.
Acompanhe ao longo do tempo
Um teste isolado mostra um momento. A lentidão de verdade costuma aparecer como tendência: o tempo de resposta subindo devagar, semana após semana, até virar reclamação. Acompanhar esse número todos os dias permite perceber o problema antes do cliente, e ligar a piora a uma causa concreta, como um plugin instalado ou uma mudança na hospedagem.
Os erros mais comuns
- Trocar de hospedagem sem diagnóstico, e levar a lentidão junto na mudança.
- Testar só no computador do escritório, com internet rápida, e não no celular.
- Instalar mais um plugin de otimização por cima dos que já existem.
- Medir uma vez só, e tirar conclusões de um momento ruim.
Um teste de dez minutos
Escolha o site mais reclamado e meça o TTFB da página inicial e de uma busca interna, em três horários diferentes do dia. Anote os números. Em dez minutos, você saberá se a conversa é sobre hospedagem, sobre o WordPress ou sobre a página, e terá dados para mostrar ao cliente, em vez de impressões.
Para ir além
- Como atualizar plugins em dezenas de sites WordPress sem quebrar nenhum: o método das atualizações em ondas, com backup antes e conferência depois.
- Quanto cobrar pela manutenção de sites WordPress (e como justificar o preço): como montar o preço da manutenção a partir do seu custo real.
O tempo de resposta de todos os sites, todos os dias
No Sites Station, o Monitoramento verifica todos os seus sites a cada cinco minutos e guarda o histórico do tempo de resposta, além da disponibilidade. Dá para ver a tendência de cada site ao longo das semanas e perceber a piora antes da reclamação, com o número em mãos para a conversa com o cliente.
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